Porque era uma metade que desmoronava
E não sabia aonde iria parar
Rodava, girava, era levado pelos ventos e pela maré
E não sabia onde poderia parar…desmoronado
Ainda que uma parte permanecesse em pé, firme e segura
A outra metade, abandonada ao destino
Não tinha ninguém para salvá-la ou protegê-la
Nem na vida poderia a tirar da morte que sentia
E ia quebrando, ruindo, despedaçando cada retalho que a muito custo costurou
Naquele barquinho que navegava sem rumo, via uma correnteza incerta
Daquele vento que se lhe batia sentia sua distância da terra firme, de outra alma
Nem via sua outra metade, nem via outra qualquer, nem via terra, nem via faróis
Só…
Só…
Só…
Ah, se o barco afundasse… O irônico é que ele segue tão resoluto ao nada que a própria metade, desvanecida, chega a acreditar que ele a leva à algum lugar
Levaria?

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