nauticus III
Ah, se não fôssemos apenas crianças
Poderíamos contemplar um infinito aqui mesmo
Dentro de corpos de adultos, somos crianças que se escondem
Olha ali, o medo!
Olha lá, buscando abrigo, procurando um solo firme para se apoiar.
Má notícia, meu caro: o único abrigo é a solidão, está a esmo e por conta própria.
Má notícia, meu amigo: não há chão. E agora?
A criança acorda e não vê a mãe. Ela chora.
Depois, há necessidade de sobreviver.
Ah, a criança conquista, conquista mais, conquista cada passo, cada degrau, cada fronteira. E já nem vê mais a escuridão que a cerca, para ela tudo lá fora é mudo.
Ela cria um lar, e chama isso de Eu.
A criança percebe, depois, que o Eu ainda está insustentável. É um lar sem paredes, sem teto, sem chão. E ela anseia, novamente, pelo útero.
Então ela volta a navegar em mares desconhecidos, pois ao menos a água lhe traz esperança.
.
Navega.
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Viagem infinita de movimento inevitável, assim como inevitável é a solidão…Mais que um poema,uma reflexão que amedontra, mas necessária aos viajantes…
Beijos, Isabel.
minha esperança era que nauticus fosse uma triologia, mas pelo final..ai ai ai vai longe, quase uma loucademia de policia.haha.
posta maais, quero ler mais, me afogo nessas águas, nao sei nadar
o.o
beejos