Ah, se não fôssemos apenas crianças
Poderíamos contemplar um infinito aqui mesmo
Dentro de corpos de adultos, somos crianças que se escondem
Olha ali, o medo!
Olha lá, buscando abrigo, procurando um solo firme para se apoiar.
Má notícia, meu caro: o único abrigo é a solidão, está a esmo e por conta própria.
Má notícia, meu amigo: não há chão. E agora?
A criança acorda e não vê a mãe. Ela chora.
Depois, há necessidade de sobreviver.
Ah, a criança conquista, conquista mais, conquista cada passo, cada degrau, cada fronteira. E já nem vê mais a escuridão que a cerca, para ela tudo lá fora é mudo.
Ela cria um lar, e chama isso de Eu.
A criança percebe, depois, que o Eu ainda está insustentável. É um lar sem paredes, sem teto, sem chão. E ela anseia, novamente, pelo útero.
Então ela volta a navegar em mares desconhecidos, pois ao menos a água lhe traz esperança.

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Navega.

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