mas silencia
Queria te amar… queria tanto. Forçava cada lágrima, cada situação, imaginava momentos doridos em que, por ti, eu pudesse chorar, mas não conseguia. Queria muito te amar, mas era só desejo.
Via-me sozinho, por várias vezes, desejando-te como companhia, nada além. Não sei o que envolve o amor, mas entendo o desejo.
Talvez nem me seja possível amar outra pessoa, senão a mim mesmo, a meu espírito. Meu coração pragueja e meu corpo aceita uma solidão indiferente, desnecessária. Era óbvio que não precisava estar só, mas meu desconforto com a falta de amor a outra pessoa me deixava desconexo. Como acordar ao lado de alguém que quer carinho e romance quando você, somente pelo fato de tê-la usado como companhia, não suporta o vazio criado dentro de si? Gerou-se a solidão a dois, e, perdoem-me, não sou conivente com isso.
Queria te amar, mas tu terias que ser mais do que a companhia das noites chuvosas. Deverias ir mais longe do que partilhar sonhos e neuroses, intimidades e prazeres. Precisas estar visceralmente intrínseca, em cada parte de mim, mofada, como um parasita, uma forma celestial em meus sonhos.
Ah, onde estás? Acordaste bem? Aquele, ao seu lado, é companhia ou amor? Dá-me uma ingrata esperança.
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