Tá bom, continuem me chamando de saudosista, mas essa é especial.

Acabo de entrar na sala do meu estágio pra poder ficar na frente do ventilador (não, não tenho ar-condicionado muito menos climatizador). São exatamente 12:33 agora, devo ter entrado aqui há uns cinco minutos. O fato é que, mesmo durante o ato de abrir a porta já senti um cheiro diferente aqui dentro, e quase no mesmo instante identifiquei.

Quem me lê sabe das minhas implicâncias, paranoias, TOCs, etc. Os cheiros são uma constante nas minhas recapitulações de memórias e sensações, é imediato, sinto o cheiro de algo e, no mesmíssimo instante (ao menos assim me parece, pois não sou tão rápido quanto meu sistema nervoso autônomo), lembro de momentos, de sensações daquele momento, de luzes, roupas, diálogos, pessoas, emoções e uma série de coisas. A intensidade e clareza das lembranças sempre varia de acordo com a situação, mas algo especial sempre surge, e funciona quase como uma espécie de “remedy lane”.

Voltando ao cheiro da sala. Era completamente o olor de uma pizzaria de Cruz Alta – RS que eu costumava ir com a família e amigos da família quando eu era criança, por volta dos meus 4 ou 5 anos, creio eu. Não sei se era assim o nome, mas na minha cabeça ficou assim: Pizzaria do Sasso. O cheiro que estava aqui (porque liguei os ventiladores e ele já se foi), aliás, não era bem o da pizzaria, era mais específico, era o da pizza de calabresa de lá.

Não entendo, realmente, como consigo fazer essas memórias surgirem assim. Quisera eu poder fazer isso conscientemente, lembrar de cada fragmento na hora que quisesse, investigar e revirar o inconsciente com uma precisão enorme, fazer um google dentro da minha cabeça. Já pensou? Nem estudaria pras provas, colocaria o modo REC ligado na minha cabeça, assistiria às aulas e faria os exercícios e pronto, em dois anos poderia encontrar aquilo gravado em um arquivo lá na pasta psíquica. O que, aliás, não é muito diferente do que faço, contudo, com uma eficiência próximo ao zero.

Garanto que essa a revista Veja não explica, e se se aventurar na senda dessa matéria de memórias e afins, certamente trará um questionário, dicas para melhorar o cérebro e nenhum (repito e grifo: nenhum) dado novo ou esclarecedor sobre o assunto, apesar da capa (hipotética) trazer, com letras bem grandes, escrito: A Memória Perfeita.

Ah, de tanto falar em memória, ia esquecendo. Quem trouxe pizza pra cá pra ficar com esse cheiro? E quem tem cheiros assim pra memorar? E quem lembra da Pizzaria do Sasso?

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