“When you have insomnia, you’re never really asleep… and you’re never really awake.” Clube da Luta

Essa semana assisti um pedaço do filme Clube da Luta, pela trilionésima vez, e lembrei da frase do personagem do Edward Norton: “quando você tem insônia, você nunca está realmente dormindo…e você nunca está realmente acordado.

Não é preciso ter insônia para se ter essa sensação, apenas um corpo cansado.

Não me considero uma pessoa com insônia, quando quero, onde me encosto, eu durmo, no entanto, não gosto de dormir cedo nem de acordar tarde, gosto de dormir o mínimo possível, e sabe-se lá a que custo isso leva meu corpo adiante.

Essa mania de tentar dormir pouco me dá, muitas vezes, essa sensação de distância aos fatos que ocorrem em volta, às coisas da vida, como se tudo fosse acontecendo sem tempo de reação. Apenas a adrenalina traz vida presente, em alguns momentos.

Quando tive distúrbios alimentares, as coisas se apresentavam da mesma forma, é como se ficasse ilhado dentro de mim mesmo, impossibilitado de interagir verdadeiramente com os acontecimentos, com as pessoas. Parecia que havia sempre uma voz distante conversando, e a resposta era tão automática que em cinco minutos já poderia estar esquecida; e as reações eram tão inconscientes que não era mais uma pessoa ali, era uma casca.

Isso me parece muito comum hoje, essa falta de descanso, essa ansiedade em proporções cósmicas, que implica em um distanciamento galáctico.

Conversar, tocar, interagir, não é só reagir, é sentir, observar o contexto, ver as entrelinhas do que se diz, a intenção escondida atrás das atitudes. Esse processo de clausura individual, seja por insônia, por cansaço, por anorexia, o por qualquer outra coisa, é uma doença que limita o ser humano a um animal, que só consegue perceber os fins que se adéqüem ao seu meio, aos seus anseios, e acaba por culpar o que lhe é mais fácil quando a falta de percepção lhe causa uma frustração.

Aliás, a ansiedade é como mais um tipo de insônia, aplicada enquanto estamos acordados, interagindo, vivendo. Alguma parte do nosso sistema nervoso se ocupa de um algoritmo falho, rodando e rodando e rodando e não funcionando pra nada, apenas ocupando a mente de forma improdutiva.

Balançando a perna, tamborilando os dedos, fazendo sons… é como sonhar acordado, não uma divagação produtiva, uma epifania, não, é apenas uma distração sem cabimento nem produtividade, sem vida nem morte, é a insônia de si.

Quando se está insone de si não se está vivo nem morto, é quase como o kitsch.

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