Era como um belo poema
Derretendo-se em mãos ausentes,
Vazias; e cerrava os dentes
Numa fúria que se queima.

Tremem mãos, fracas e esquálidas,
Esvaindo o que em vida fora belo,
Perdendo um propósito, um cego anelo
Que vaza por horas inválidas

Que compromisso esse (salgado) saber
Que como cansado de suportar
De si para si, vai-se achegar
Nas portas do enlouquecer

Assim, vai-se como poema frio
A cada centímetro mais perto
Do final certo, quando, desperto,
Vê-se fluindo com o rio.

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