ensino decadente
Entrar na universidade para que lhe digam para ler o capítulo xv e responder às questões de um a treze é meio inútil, se fosse esse objetivo teria ficado em casa aproveitando melhor o tempo. O que está nos livros já está lá (óbvio), e ninguém que está na universidade deveria ter problemas cognitivos graves o suficiente para ler e não entender nada. Nenhum aluno é contente em ser um copiador de conhecimento.
Aulas expositivas: eis que se perdeu o senso de direção do ensino. Não há razão para ficar quatro horas sentado em uma cadeira pouco confortável ouvindo o resumo de um professor sobre um capítulo de um livro que ele “adotou” como roteiro básico para suas aulas. Quando muito, temos o prazer de ter um trabalho verdadeiro de um professor mais evoluído baseado em referências mais amplas e exposto de forma mais interessante, porém, ainda assim, se a aula fica exclusivamente expositiva, é preferível dormir e aprender sozinho, usando-se de auxílios externos.
Ora, presumo que o estudante pretender descobrir coisas, imaginar, inventar, criar. Claro que é necessário ter os conhecimentos desenvolvidos até aqui, mas para que isso seja válido, a exposição de conteúdo deve ser simples, rápida e cheia de espaço para discussões, questionamentos e comparações.
Os professores têm trabalhado com um método muito simples: pede e quer ser atendido da forma que imaginou previamente, ou seja, o aluno deve corresponder a expectativas, não deve comparar e opinar; deve citar, mesmo que esse conhecimento já lhe seja comum; deve embasar, mesmo que seja ponto pacífico. Criar hipóteses é algo fora de cogitação. Imagine, um simples graduando tendo a ousadia de supor algo além dos livros… Quanta empáfia.
Não consigo ver gênios sendo descobertos como poderiam ser, pois que não poderia enxergar Einstein sentado nas fileiras de uma sala de aula ouvindo o resumo do capítulo xv que o professor resolveu ensinar. Acho que o seu Alberto seria capaz de ler um capítulo, compreender e reescrever da sua forma (e corretamente) sem precisar de uma sala de aula para tal.
Se a grande falta do mercado é criatividade e versatilidade profissional, isso se deve à forma com que se educa os cidadãos, sem incitá-los ao misterioso que ainda há por ser desvendado.
Uns fingem que ensinam, outros fingem que aprendem, e assim fica tudo bem. Dar aulas vazias e desinteressantes não é um problema, seria, sim, se a ementa não fosse cumprida.
Ai, como Saramago, Kundera, Hesse e outros têm me caído bem – melhor do que pensava – em aulas de engenharia.
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Adorei! Existe um provérbio chinês que diz:
Diz-me e eu esquecerei.
Ensina-me e eu lembrar-me-ei.
Envolve-me e eu aprenderei.
Como que a escola e a universidade podem ser interessantes sem estímulo e nem desafio…os professores precisam resgatar o caráter utópico e romântico de sua profissão, sermões e lógicas não convencem,só se convence fazendo sonhar, já nos informava Whitman e Bachelard…E a capacidade de pensar? Está em segundo plano nas universidades há muito tempo, está realmente difícil engolir este ensino…por isso, percebo que é o professor que precisa urgentemente acordar e encarar o seu maior desafio de ir além…muito além de livros, provas, sermões vazios e cópias…
Bjo, Isa.
- Larga dessa facul e vai pra escola da vida moleque!! ;PP
- Adorei o texto, principalmente a abordagem, parabéns mesmo!
bjocas.
há algum tempo atrás, eu fiz um trabalho de processo civil sobre coisa julgada. num determinado ponto, eu desenvolvi o que era a coisa julgada e o que era sentença, etc. aí, o trabalho valia 2,0, e eu tirei 1,5 porque não citei a fonte de onde havia tirado essa parte do texto. então disse ao professor que eu havia desenvolvido com o conhecimento adquirido na faculdade, afinal em seis semestres (na época)eu havia de ter aprendido alguma coisa. ele continuou insistindo que não havia fonte, e não me deu os pontos.
:/