Sem permissão, invades uma noite silenciosa,

E sorris a essa vida ao abrir a porta,

E iluminas, dourada, ígnea, artificiosa,

Revives sala, quarto, espírito e alma morta.

Traz, do fogo lindo que há em teus pertences,

Qualquer quê quimérico quando queres;

Faz-te similar à vida viva, e assim me vences,

Tiras de mim as defesas, as roupas e os dizeres.

Em vermelho me envolves, em castanho me olhas,

Em branco me tocas e eu, em preto, me acalmo

Como quem compartilha no parque a queda das folhas;

Hoje tenho as mãos quentes, sinto a pele a cada palmo.

Fito-te os olhos de fabuloso fulgor fugaz,

Deleito-me num aroma flamejante

Que dança sobre tua pele, que me apraz,

E tudo vira luz, ouro e amanhecer num instante.

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