Na noite desta quarta-feira que passou, dia 30 de Junho, um episódio ineditamente engraçado aconteceu nessa minha humilde vidinha, tão inescrupuloso que eu resolvi compartilhar com vocês, meus queridíssimos leitores pacienciosos.

Vamos aos fatos.

No dia 08 de abril deste ano, este que aqui vos fala alugou uma garagem de uma vizinha do prédio ao lado, haja vista que no prédio do autor não há garagem. Pois bem, meus caros, notem o dia (08), pois este foi o meu primeiro contato com uma certa pessoa timidamente imersa em uma consciência rasa e ignobilmente jocosa.

Pois bem, foram (ou deveriam ter sido) 3 meses de aluguel da dita garagem, até hoje, com pagamentos adiantados e, ainda, com o autor recusando a necessidade da emissão de nota sobre tal empresa, uma vez que se pensou que era possível acreditar num “acordo verbal”.

Há cerca de 3 semanas, exercendo toda minha paixão pelo sorriso e simpatia, tive a felicidade de não encontrar a “dona” da garagem quando fui buscar o controle da mesma que havia sido enviado à manutenção para a troca do código de segurança. Conversei com a colega de apartamento, que, aliás, mostrou-se uma pessoa muito mais digna de respeito e consideração, que me disse que a “dona” gostaria da garagem de volta no fim do mês. Ora, precisei ressaltar que “o mês” da garagem terminaria dia 08 de Julho, por lógica basilar.

Calma aí pessoal, agora vem a parte divertida.

Na noite desta quarta-feira, estava eu me preparando para sair com meus amigos quando a simpaticíssima “dona” da garagem me liga dizendo que estava com o seu carro na frente do prédio e queria sua garagem. Mas eu me pergunto, então, como ocorre a passagem do tempo? Não seria quarta-feira dia 30 de Junho? Não faltariam ainda 8 dias para o término do “contrato verbal”? (Não posso chamar de acordo de cavalheiros pois, além da meliante ser do sexo feminino – e eu não a chamaria de dama -, certamente se ela fosse macho não mereceria tal adjetivo).

Respondi, por certo, ao telefone, que eu ainda teria mais uma semana de direito à garagem, e a indivídua a mim responde que devolveria o valor do dinheiro correspondente à semana. Redargui que ligaria para ela qualquer coisa, na certa, pelo tom de voz, dando-me a entender que não entregaria a vaga até o término do mês.

Notas adicionais até o momento:

  1. A moça não tem pensamentos laterais, caso contrário, ter-me-ia compreendido pelo tom de voz, forma de colocação das palavras e desinteresse notório em sua proposta. Isso evidencia, perdoem-me se eu estiver errado, um caso de ser imerso em si e só em si (e não falo da nota);
  2. Caso houvesse um acordo escrito pelas partes interessadas, a atitude da senhorita agradável, que narrarei adiante, configuraria quebra de acordo, e por certo ela teria que me reaver quantia maior do que a “equivalente à semana”;
  3. Hahahahaha.

Ora, ignorando a ligação, saí com meus amigos para um Pub da cidade de Santa Maria, recebendo inúmeras ligações da moça (e também de sua mãe, como descobri posteriormente) durante a madrugada. Ai, perturbação, ai meus sais. Obviamente não atendia, de que adiantaria atender o telefone se eu não iria escutar nada (pubs costumam ter som alto).

Cheguei em casa, perto das 02h da madrugada, e quando fui guardar o carro na vaga que havia locado no dia 08 de abril  – e que deveria estar comigo, pelo pagamento realizado com adiantamento, até o dia 08 de julho -, adivinhem meus adorados leitores… o carro da dita cuja estava lá, ocupando a vaga.

Esse que vos escreve sonolentamente poderia ter feito sacanagens, deixado seu próprio carro atravancando o caminho do carro alheio, mas não, preferi deixar o veículo do lado de fora, na rua, arriscando a integridade e posse do mesmo.

Pela manhã, cumpri meus afazeres e, ao início da tarde, querendo pôr um fim à bestice, resolvi devolver o controle e abrir mão dessa intriga infantil.

Ninguém me atendeu pelo interfone para receber o controle. O celular da moça chamava poucas vezes e a ligação caía (não sejamos inocentes de pensar que ela não estava desligando “na minha cara”). Enviei uma mensagem informando que viajaria em breve (o que era verdade), e em 5 minutos recebi a ligação da agradabilíssima Srta. Reinabarriga, pedindo para que eu entregasse o controle no apartamento do síndico.

Menos de 15 minutos depois ela torna a ligar, pergunta se eu já havia devolvido o controle, respondo que ainda não havia saído de casa. Então, no auge da sua ignomínia, ela exige que eu ligue de volta para ela caso o síndico não esteja e, ato contínuo, pergunta numa forma de educação que eu ainda não havia conhecido “por que eu não havia atendido o telefone na noite de ontem”, ora, respondi o que o leitor já sabe, e ela retruca algo assim: “passei o maior trabalho para guardar o carro ontem a noite e tirar o carro da garagem hoje, não quero passar esse trabalho de novo. Achei uma enorme falta de consideração da sua parte isso que você fez.”

Notas adicionais a este momento:

  1. Não sei porque me dignei a responder;
  2. Se passou trabalho o problema não é do meu interesse, a garagem ainda deveria estar a minha disposição;
  3. Cérebro existe para ser usado, tenho certeza que havia formas mais fáceis de abrir a garagem que não fossem ficar ligando insistentemente;
  4. Falta de consideração? Oi? Contrato verbal? Prazo? Pagamento? Meu carro passando a noite na rua?

Ora, meus estimados leitores, falar de falta de consideração a uma hora dessas? Obviamente retruquei em um tom calmo e hilário “vens falar de falta de consideração pra mim?”. Pronto, ela desligou.

Nesse momento sim senti desejo de sacanear a astuta, viajar e trazer comigo por alguns dias o controle, fazê-la passar o tal trabalho poderia ser prazeroso. Porém, desisti e devolvi o tão conturbado controle à colega de apartamento da mademoiselle e segui viagem.

Pensam que essa história se estanca por aqui? Pensam? Não, essa história não se estanca por aqui.

Uma amiga veio de carona comigo na viagem, e à certa altura do trajeto meu celular toca. Obviamente, por motivos de segurança, não atendi e pedi para minha amiga atender no meu lugar. Adivinhem? A mãe da meliante! E, em poucas palavras, pelo que a minha co-piloto relatou, ela foi tão hábil na arte da antipatia quanto sua filha.

Resumo da ópera: um post que eu espero que seja lido pela querida vizinha.

Não tenho rancores, viu querida?

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