Tem gosto de traição,

 Ainda que assim não seja;

 Não é doce como cereja

 Pois me é amargo, então.

Cabe a mim sentir na boca,

 Na língua que me tocou,

 O gosto de cinzeiro que restou

 Dessa comoção em bancarrota.

 Desliza por entre os braços

E cai em mãos alheias,

 Diz-me quem tu anseias

Enquanto rompo os laços.

Da boca que na minha esteve,

Da língua que me falava doce,

Também se pode esperar tal coice,

Mesmo na serenidade que manteve.

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