Concursos (máfia?)

Todo mundo tem um (ou vários) amigos, ou pelo menos um amigo de um amigo, que está estudando para concursos. Parece que virou uma nova modalidade de carreira, a febre do momento. Antes era estudar, se formar e ir pro mercado de trabalho, ou então teimar com o mercado financeiro, ou o caixa eletrônico dos pais, e seguir para o doutorado/mestrado, optando por ter um retorno financeiro mais demorado, para embarcar na vida acadêmica. Agora temos a nova opção: concursos.
Geralmente, os concurseiros são bacharéis em direito, e, muitas vezes, ainda não conseguiram passar no tenebroso Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, ordem na qual, talvez, possamos incluir posteriormente nesse post como uma correlata das organizações descritas.
Aqueles que se formam nos inúmeros cursos de Direito do país, que, ao meu ver, parecem ter sua qualidade decaindo mais e mais, têm uma variedade de opções para seguir carreira. É essa a história que nos contam, não é?
Pois bem, no Brasil se formam cerca de 174 bacharéis em direito por dia (http://www.juspodivm.com.br/noticias/noticias_1491.html). Juntando a advocacia, as carreiras de magistratura e qualquer outra sorte de concursos e vagas, será que temos mercado para todo mundo? Antigamente diria que não, mas talvez até exista, pois a quantidade de cursos de direito que vêm sendo criados é enorme. Bom, isso não vem ao caso.
Abrir cursinho para concursos é a nova fábrica de dinheiro no Brasil, as mensalidades não são baratas e as salas são sempre cheias, ao menos em cidade médias e grandes.
Não tenho ideia de quantos concursos uma pessoa faz por ano, mas digamos que faça seis, o que eu penso que deva ser um número pequeno.
Peguei os dados de um concurso para Oficial de Justiça que aconteceu ano passado no Rio Grande do Sul para realizar alguns cálculos bem simples:
- Candidatos: 24.194
- Vagas: 4 (sim, quatro vagas, e você achava que vestibular pra medicina era concorrido, bem-vindo ao fabuloso mundo dos concursos públicos)
- Densidade: 6.048,5 candidatos por vaga (!!!)
O valor médio das inscrições para os concursos fica por volta de R$70,00.
Vamos lá: 24.194 x R$70 = R$1.693.580
Até aí tudo ótimo meus queridos. No entanto, retomando o pensando inicial: quem de vocês não tem um amigo (ou vários), ou um amigo de um amigo, que passou em um concurso há não sei quanto tempo e está esperando para ser chamado.
Esperando para ser chamado. Como assim? Havia a vaga, o indivíduo passou no concurso, e agora espera ser chamado. O que aconteceu, a vaga sumiu? Foi ocupada por outro? Alguma minoria foi favorecida? MST?
Aliás, concurseiro que passou e não foi chamado, eis uma ideia, crie o MSV – Movimento dos Sem Vagas, invada órgãos públicos e reclame, quebre, xingue, bote música alta, tome cerveja, mije na calçada do prédio e exija o seu direito à vaga, afinal, mais de um milhão de reais entrou nos cofres públicos com a realização desse concurso que você passou.
Saindo do âmbito estadual e entrando no âmbito nacional, quantos concursos desses acontecem por mês? Quantas pessoas esperam por vagas? Quantos são cargos são preenchidos por indicação, no fim das contas, e acontecem os pedidos de revisão? Quantos milhões entram no bolso d`Eles (Quem são Eles? Quem Eles pensam que são?).
Só eu sinto cheirinho de falcatrua e pilantragem por aí?
Pensando bem, até é bom né? Pense em quantas pessoas estão lucrando como professores e donos de cursinhos para concursos. E mais, quantos estão lucrando vendendo provas e métodos de burlar os sistemas de segurança das provas.
É, o dinheiro tem que rodar, nem que seja do bolso Deles para seus filhos que andam de Audi ou BMW e pagam Champagne nas festinhas.
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