Pois bem, deixe que eu seja, por momentos, mais pessoal, mais humano do que eu gostaria de ser, mais inapto ao convívio do que deveria ser.
Acabo de voltar de um bar, se tomei um copo de cerveja foi muito, fumei alguns cigarros para curar a ansiedade de estar num lugar que não me sinto confortável, com muitas pessoas ao redor, com música mais alta do que eu gostaria, músicas ruins, aliás. Acendo cada cigarro para ficar em paz, por alguns breves minutos, meu único companheiro quando não posso estar com minhas letras ou meu violão.
Ri, com certeza ri muito, mas esses momentos parecem ser sobrepujados de maneira intratável por qualquer outro sentimento de retração, ira ou dor que possa vir. Acendo outro cigarro para tentar expelir junto com a fumaça essa dor, e então continuar rindo, sorrindo, ouvindo o que me falam, mesmo que tu me pareça bobagem, e tudo me parece bobagem desnecessária. Sinto-me deslocado.
Estou investigando algumas coisas sobre mim, digo, estou apenas procurando confirmação científica do que há (ou não há) em mim. Sou incapaz de sentir o que deveria, e se alguém quiser definições melhores sobre isso (não falarei nada por enquanto) procure no google por despersonalização.
Como posso, então, sair e não me sentir um estranho? Ao menos se eu bebesse, como vinha fazendo há anos, seria mais social e instintivo, então tudo estaria bem. Hoje não bebi, ontem não bebi, em nenhuma das últimas noites eu bebi. Assisti às pessoas e não soube me incluir muito bem no contexto. Estou ficando mais e mais deslocado.
Agora, ouço algo gritando em mim, um urro desesperado, irado, estridente e rasgado, quase um ruído terrível, e estou rachando. Não sei o que esperar, tentei abafar muitas vezes esse verme, mas acho que preciso abraçá-lo e colocá-lo de frente com meu resto. Sinto-me dividido.
Preciso por as ideias no lugar. Não sei o que disse, não irei reler o que disse. E se é de humanidade que há sede, pois aqui está um pote cheio de fraquezas e defeitos, e não vejo nada mais humano, e assim será, sem revisões, sem editar, o meu humano cru. Sinto-me nu.

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