Assim te vais, meio sem alma,

Nesse monólogo ensurdecedor

Gritas às paredes desta casa vazia,

Ecoas maldições no teu íntimo oco.

Pensas nas almas e nos átomos,

Meditas sobre o amor e o universo,

E assim te esgotas, em gotas amargas.

Lentamente, sem pressa nenhuma,

Preenches teu corpo nesse escuro ocaso,

Tão pretérito quanto tua vida esquecida,

Tão valioso quanto tua liberdade fria.

Assim te acabas, gota por gota,

Meio sem alma – histeria calma -,

E quando cessas tuas blasfêmias altas,

Afogado no cansaço desse discurso,

Acabas por dormir nesse chão frio

Que ainda vibra gritos de casa vazia.

 

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