carência de si, ou de mi
Acho que foi no Zero Hora, li uma entrevista com a Fernanda Young. Primeiramente, devo elogiá-la pelo caráter, por ser ela mesma independente do que falam ou pensam, podem até não gostar dela, mas a sinceridade e retidão para consigo que ela tem, ou ao menos demonstra ter, deve ser parâmetro e exemplo para nós.
Aliás, quem tem visto o programa O Sistema, da rede Globo? Ela é escritora do programa, junto com, acredito eu, seu marido. Estou adorando, é uma viagem completa, uma ironia não muito forte, mas divertida, e piadas inteligentes ou, talvez, intelectuais.
Enfim, já ia me esquecendo o porque de ter citado ela. Retomemos: foi numa entrevista com ela que li sobre a “necessidade” dela de escrever, não vou lembrar exatamente os termos que usou nem os porquês mais precisos, o que também não vem ao caso.
Meus caros, e raros, leitores, este que aqui lhes fala compartilha da Sra. Fernanda Young no que tange a uma necessidade de escrever. Pois bem, vejamos, o ser humano sente uma necessidade de viver, é inquieto, insatisfeito, incompleto e inacabado. Não vejo muitas exceções a essa regra. Se mamíferos humanos são impelidos a viver como caçadores, antes de comida para sobreviver, hoje de qualquer coisa que os compraza, se há essa necessidade, e eu vejo nescidade nisso tudo, nessa imperfeição, nesse ser desajeitado e desorientado, se vejo tolice em grande parte das coisas que vejo quando estou são – seria muito mais sábio admitir sermos ainda animais completamente reacionários aos instintos e impulsos externos. Nesse sentido, e nessa tendência minha à exclusão, vejo a arte como um meio de propagar sentimentos intensos e pesados, aqueles que não vivo, pois se me apaixono não dura mais do que uma ressaca.
A certeza do que escrevo é estúpida, amanhã é incerta. Assim são os poemas incrivelmente negros: metamórficos e mutáveis. No que escrevo existem apenas possibilidades, mas dificilmente verdades completas (e verdade pela metade é mentira). Escapo por ali na minha vontade de viver intensamente, se há algo ali é inveja de não conseguir ser sempre desatento e superficial (por isso há o álcool, e, ainda assim, em doses altas).
Portanto, caro leitor, cuidado: sou ficcionista, romântico e irônico; uma verruga na vida da poesia. Quem me há de cauterizar? Sou animal, instintivo, e aqui expresso o que não é para que, ao menos finja, por alguns segundos, ser; afinal, como escreveu o Marcelo Camelo (ou o Rodrigo Amarante), “e alguma coisa a gente tem que amar, mas o que eu já não sei mais”. Além da família, amigos de verdade, eu mesmo, meu SAG e minha nódoa de razão desajuizada que chamam de poesia, não há nada mais para amar. Escrevo na necessidade de amar algo que não alcanço e não termino(a), pois sou animal insatisfeito.
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tu és um mentiroso isso sim, ai definir os teus amores, pois não fostes tu mesmo quem me disse há alguns dias que amavas coisas várias? porém em amores diferentes? acho que no várias há mais variáveis do que no teu limitamento.
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