Christian Silveira
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Posts by Christian Silveira
Viscosidade da vida
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Fluidos, de uma maneira geral, podem ser identificados como gases e líquidos, a maioria de vocês deve lembrar disso e de alguns conceitos que serão apresentados no texto, são conceitos introduzidos no ensino médio e, para alguns, complementados e aprofundados no ensino superior.
Pois bem, os fluidos têm uma propriedade chamada Viscosidade (dinâmica ou cinemática). Viscosidade pode ser facilmente visualizada quando citamos dois exemplos: água escorrendo e mel escorrendo. Qual o mais viscoso? Obviamente o mel, né?
O mel é, sim, mais viscoso, isso quer dizer que ele tem resistência interna para fluir maior que a da água. O atrito que existe dentro da estrutura do próprio fluido é determinante disso, ou seja, quanto maior o atrito interno maior a viscosidade do fluido.
Essa propriedade de viscosidade é influenciada pelas interações intermoleculares do fluido, e essas, por sua vez, são diretamente influenciadas pela temperatura. Fica mais fácil de entender usando exemplo: se você pegar o mesmo mel e aquecer, ele vai escorrer muito mais facilmente, ou seja, maior a temperatura menor a viscosidade.
Tá bom, Christian, vai ficar dando aulinha de fluidos agora? Não, calma aí que a viagem tá chegando.
Nossos pensamentos fluem, costumamos dizer, mas o que faz com que, de tempos em tempos, nos sintamos mais ou menos criativos? Mais ou menos inteligentes e atentos?
As ideias, por vezes, parecem escorrer amargamente devagar em nossa mente, parecem grudar em cada sinapse, em cada neurônio, e vão tão lentamente que ficamos inaptos ao desenvolvimento intelectual satisfatório (sim, tenho me sentido assim, por isso do texto).
Quando os pensamentos demoram a escoar por nosso sistema nervoso, ficamos apáticos cerebralmente, algo assim, não entendemos as coisas, nos faltam insights, nos falta luz nas ideias, clareza em tudo.
Seria, essa viscosidade, uma conseqüência de alguma frieza dentro de nós? Quero dizer, como se baixássemos a “temperatura” de algo dentro do nosso ser, e isso trouxesse o infeliz resultado da diminuição do rendimento intelectual?
Ou então, sendo mais atual, poderíamos traduzir os vários tipos e níveis de estresse como o “atrito interno” do nosso fluido de pensamentos, e assim, nossas ideias ficariam mais pegajosas, nojentas, pesadas et Cetera?
É fato, não se pode negar, o estresse (não aquele que chamam atualmente de “estresse saudável”) compromete nossas faculdades mentais, físicas e espirituais, tudo fica distante e barulhento, nos tornamos barulhentos e caóticos de dentro pra fora, ficamos viscosos.
Porém, o que fazer para consertar esse escoamento que traduz nossa vida?
É sabido que exercícios físicos têm a propriedade de esquentar nosso corpo, nossas relações e nossa saúde, melhora muito o rendimento em vários níveis, em vários aspectos. Mas vamos além disso: mudar, quebrar a rotina, rir mais, ler, estudar, trabalhar diferente, ou seja, se reinventar diariamente parece modificar essa estrutura “intermolecular”, facilitando o escoamento das ideias, melhorando a fluidez dos pensamentos.
Ai ai, esse texto foi fluindo tão bem que nem parece que tenho andado meio viscoso, como sempre, vai pro ar sem revisar, o escoamento não volta atrás, desculpem-me se fui ficando desconexo, mas sabem como é, a entropia vai acontecendo e…
E acho que isso fica pra outro dia.
Mas antes: como você tem andado, viscoso como o mel ou como a água?
Pensamento Viscoso
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Pensamentos opacos que destilam
E partículas de infindo cansaço
Que se precipitam em outro maço
E terminam num chão onde urinam.
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O ontem viçoso virou velharia
Agora que a alma escorre lentamente,
A vida viscosa pesa obstinadamente
Absurda, teimosa, como quem não queria.
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Contrariado, pesado, rastejava como uma hachura;
Revirava o leite coalho no seu espírito de manteiga,
Queria saber quando veria verde a sua velha veiga
De terra escura, habitada por fantasmas da sua loucura.
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Escorria como mel, mas seu gosto sufocava;
Caía lento e pegajoso,
Era roto e indecoroso;
Viscoso, seu sorriso caía e sempre amarelava.
Experiências
1
Passamos a vida inteira buscando coisas, procurando nossa essência, mais felicidade, mais intensidade, mais festa, mais mais e mais.
Mas afinal, por que isso? Onde queremos chegar? O que isso tudo representa pra nós?
Cada miudeza que vivemos é só uma experiência, nada além, nada aquém. É assim com todos, não se pode fugir disso.
Os conceitos dessas experiências são maniqueístas, duais, não se pode estabelecer de forma absoluta um valor ou um adjetivo qualificando como bom ou ruim, os conceitos e as explicações que se seguem são como as próprias experiências, eles existem por si só.
Tomar bomba em uma prova é uma experiência (ruim?), você não vai poder mudar isso, você já viveu e agora isso faz parte de um passado, está guardado em algum lugar da sua mente como uma marca, uma espécie de trauma, e o máximo que pode ser feito daqui por diante é tirar algum proveito dessa circunstância já vivida.
Aquele carro novo que você ganhou/comprou só vai te dar uma vez a sensação de abrir a porta pela primeira vez, dar a primeira partida e a primeira volta nele, depois a experiência de novidade acaba, a endorfina diminui cada vez mais e a necessidade de comprar algo novo de novo aumenta. Você quer ter, outra vez, a sensação da “primeira vez”, mas essa experiência em sua legitimidade ficou para trás, é só lembrança.
Assim é o consumismo, assim é a paixão, assim é o conhecimento. Tudo vicia, tudo estagna, tudo cansa e tudo fica pra trás. Por isso a necessidade de se renovar, de renovar o que há dentro de si.
Aliás, renovar o que há dentro de nós, acredito, é primordial para uma vida saudável. Chame de revolução espiritual, programação mental, reforma psicológica, qualquer coisa, o importante é que quanto mais você mudar a si mesmo (esperando que seja pra algo que possamos chamar de melhor) mais experiências “novas” você poderá ter, a vida vai se apresentando sob novos prismas constantemente.
Não tenha medo de voltar atrás.
Não tenha medo de inventar.
Não tenha medo de sair da sua zona de conforto.
Não tenha medo.
Se tudo é dinâmico, se as coisas que vivemos se tornam passado, apenas experiências vividas, por que há essa neurose coletiva em comprar e ser isso ou aquilo?
Quando olho pros lados vejo crianças presas em corpo de gente grande, com a mesma evolução emocional de um pré-adolescente. “Eu quero!”, é o que ouço as pessoas gritando, e elas se esperneiam quando não conseguem, ficam burras, viram cínicas, se tornam monstros incapazes de compreender o que é ser humano, o que é viver experiências de vida não apenas experiências de “Eu, eu, eu!”.
Qual a experiências que queremos levar dentro de nós? A sensação de um celular novo ou a sensação de uma noite feliz com amigos em um bar? A sensação do carro novo, importado, ou do beijo conquistado a muito custo daquela pessoa desejada?
Reavalie suas prioridades, revise seus conceitos, reveja suas medidas. Obrigue-se a viver experiências que valham a pena, que te façam chorar de alegria e não de remorso.
O peso do passado
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Não deveríamos ter que carregar para sempre o peso daquilo que falamos, escrevemos ou fazemos. Mas carregamos.
Até hoje sou trollado por um dos meus textos mais radicais e famosinhos do blog (sobre fetiche por pés). É claro que fiz questão de ser incisivo, na verdade, queria ser jocoso, e não me arrependo particularmente desse texto, no entanto, existem outros que leio e só não deleto porque não quero negar o que fui, o que pensei.
Assim é com tudo, assim funciona com todos nós. É natural.
Repetem ad nauseum um “provérbio” que diz que existem três coisas que não voltam, a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. É uma pena que esse provérbio tenha vulgarizado, ele é ótimo.
Mudamos incessantemente, somos novos a cada dia, nossas ideologias são mutantes, e acredito que isso seja muito mais válido do que passar a vida acreditando em uma coisa só. Mudar significa sair da inércia, não ficar estagnado, estar disposto a procurar coisas novas e tentar melhorar.
Tenho certeza de que alguns olharão pra trás daqui uns anos e dirão “e eu nem acredito que já fui emo”.
Não podemos julgar as pessoas, não sabemos o que as levou até ali, dos processos que se desenvolveram em sua mente e em sua vida somos ignorantes. Somos ignorantes de nós mesmos.
À medida que vamos nos conhecendo, percebemos algumas nuances em nossa mente, percebemos o quanto somos infantis e corriqueiros, o quanto somos egoístas e imperfeitos. Por isso, mudamos, olhamos para trás e temos uma espécie de arrependimento, uma culpa, uma vontade de gritar, pedir desculpas, abraçar pessoas, agir de forma diferente diante de uma situação que, infelizmente, ficou no passado.
É quase uma injustiça carregar a culpa do próprio passado, é quase como carregar os erros de outra pessoas, pois é certo que somos frutos do que fomos um dia, mas não somos mais aquilo que passou. É, eu acho que é isso: não somos mais aquilo que passou.
Somos outros, somos novos, somos diferentes. Nem sempre mudamos para melhor, infelizmente, mas mudamos.
Não tenho ideias hiperativas, que ficam gritando e pedindo atenção para que eu não as esqueça. Não tenho uma ideologia para morrer por ela, não sou Gandhi, nem Che, nem Hitler, nem Newton.
Poder se desprender de coisas, de pessoas e de ideias é difícil, contudo, por vezes, é mais difícil ainda se deixar prender, se deixar fisgar, morder a isca desse mundo e dizer que se tem os pés no chão, que vive-se, de fato, num mundo de pessoas de carne, osso e lágrimas.
É injusto que nos façam ficar presos ao que dissemos quando éramos mais jovens. Não somos mais os mesmos, não temos mais o mesmo discurso, não lançamos mais a flecha da mesma maneira.
A esquerda não é mais a mesma, a direita não é mais a mesma. O socialismo se confunde com o capitalismo em países desse planeta. O preto vai virando o branco e a gente nem percebe, no entanto, somos sectaristas e conservadores quando se trata de apontar o dedo e jogar uma pedrinha.
