Christian  Silveira

Christian Silveira

This user hasn't shared any profile information

Posts by Christian Silveira

Hoje vi vida na natureza

3

O dia amanheceu com poesia

e havia alma nas nuvens

e havia cor nas copas das árvores

que oscilavam com o vento

E o vento cantava melodias apocalípticas

com tons opacos e desmedidos

De todas as manhãs, essas são as mais belas

o sol ainda se escondia

o olhos podiam ser abertos com vontade de mundo

e sentir os elétrons que viajavam pelo ar era algo como paz e harmonia

Se eu tivesse consciência…

Ah, se eu tivesse consciência, voaria por aí como um deus

e abençoaria eternamente a vida da natureza carregada de tensão

Hoje os pássaros cantaram com alma, as árvores balançaram com vida e o vento soprou como uma oração

Bon Jovi – 2009 – The Circle

2

Depois de alguns anos, volta a galera do Bon Jovi, com suas receitas clássica de um bom rock (poprock), com uma roupagem mais moderna, mas sem fugir e nem deixar nada a desejar se comparado às antigas. É muito óbvio que não tem nenhum hit tão forte quanto Blaze of Glory, Bed of Roses, Always e coisas assim, aquilo deve ter sido o auge do grupo, no entanto, as músicas são de qualidade, bastante marketeiras, é verdade, mas é isso que Bon Jovi sempre foi (e isso não é depreciativo, é popular com qualidade), uma banda para vender e lotar shows.

O título do álbum é The Circle, e talvez por isso haja tantas recorrências ao que já foi feito anteriormente (ou vice-versa), porém, com algumas coisas novas. Isso quer dizer o que? Que quem nunca gostou nem deve perder tempo ouvindo, mas quem é ou já foi fã vai curtir.

We weren`t born to follow – Uma música bem simples, a receita clássica do bom Jovi, animação e letras positivas. Pra mim deu certo. Achei a música bem legal, apesar de não ser nada musicalmente excepcional. A letra é boa para aquelas segundas-feiras nubladas, aqueles nas quais acordamos sem querer levantar e levantamos sem querer sair de casa. OBS: impressão minha ou tem algo do Pink Floyd no solo? hein, hein?

When we were beautiful – Baladinhas sempre foram o forte da dupla Bon Jovi/Ritchie Sambora, e com When we were beautiful não é diferente. A música tem uma levada progressiva, meio caindo pra um U2 até. O bom gosto das melodias é indiscutível, e a letra de um saudosismo bonito, sem cair no brega nem no “de sempre”.

Work for the working men – Hardrock estilo início de carreira, a música deixa um pouco a desejar nos arranjos, e, na minha humilde opinião, o Jon poderia ter explorado mais os agudos, ou não, a essas alturas do campeonato não sei a quantas anda a garganta dele, sabe né, anos de estrada devem moer o cara. A letra é o mais interessante, parece trazer um tanto da “crise”, de como isso afetou a vida dos norte-americanos, lembrei, na hora, daquele pessoal que foi dispensado das montadoras de automóveis.

Superman Tonight – Aquela música “bonitinha”, não está perto das antigas Always ou I`ll Be There For You, mas combinaria muito bem (muito bem mesmo) com um seriado como One Three Hill.

Bullet – As guitarras dessa música (principalmente as distorcidas) me fizeram lembrar do renascente estilo grunge, a linha da música não vai muito por aí, mas as guitarras fazem referência, sem dúvida. A música é mais pegada do que as outras, e a letra não é tão otimista.

Thorn in My Side – Uma das minhas preferidas do álbum, com direito às paradas tradicionais e um “tum tum” na batera. A letra, como de praxe, é a historinha do “perdi mas tudo bem, vou me levantar e continuar”, contudo, com eles isso não parece ficar repetitivo ou chato, talvez porque, realmente, consigam imprimir na música inteira essa sensação de triunfo, de garra, e é isso que faz essa música boa de ouvir.

Live Before You Die – Outra música bonita, com uma letra um pouco romancezinho adolescente, mas a moral é boa, lembranças boas de uma vida e sempre uma despedida e a consciência de que temos que aprender a viver com os finais e aceitar a efemeridade da vida (ui, que profundo). A melodia progressiva, de novo, é a receita.

Brokenpromiseland – Ouvir bom Jovi é como ouvir trinta vezes a mesma música de uma forma diferente e não enjoar, as melodias e arranjos são sempre parecidíssimos, mas dá certo.

Love`s The Only Rule – Ah, uma guitarra arranjada num estilo Satriani me saltou aos ouvidos aqui, gostei dos arranjos dessa música, e a linha de vocal ficou mais interessante. Essa não é o típico, e parece que ficou melhor ainda, salvando o álbum da mesmice. “You write yout truth and I write mine / One man`s ceiling is another man`s sky”.

Fast Cars – A música mais poprock do CD. A letra eu achei fraquinha, e desnecessários os “Shala-shala”, mas os arranjos e a linha de vocal estão bem legaizinhos (atentem ao diminutivo).

Happy Now – Outra das preferidas do álbum. O Sambora usa um delay (?) na guitarra e também um wah-wah, relembrando os tempos de You Give Love a Bad Name. Aliás, só as variação de efeitos e arranjos de guitarra valem a música, mas tem também um vocal que, na minha opinião, foi o mais bem feito do CD, dessa vez com vontade, sem medo de voltar aos agudos. A música tem energia e, eu arriscaria, um pouco de ira.

Learn to Love – Essa baladinha ficou boa, essa eu defendo e digo que gostei. É manjada, é simples, mas é gostosa de ouvir (não muito pra não enjoar). Essas músicas que vão crescendo são sempre legais de ouvir. É fácil de cantar e pegajosa, eu chutaria como um próximo single do álbum (pois o primeiro já é We Weren`t Born to Follow).

Revista Veja – Novembro 2009 – Corpo

4

Acabo de pegar a Revista Veja datada de de 18 de Novembro.

A reportagem principal: CORPO – O Novo Manual de Uso. E abaixo alguns dados antecipando o que seria tratado na matéria.

Pois bem, ainda não li o resto da revista, apenas essa parte que se refere à capa.

A matéria inicia dizendo que conhecer o próprio organismo é um passo fundamental para longevidade e boa saúde. Alguma novidade? Não. Contudo, apesar de iniciar assim, em momento algum a revista traz isso na sua reportagem, não comenta sobre diferentes aspectos de cada pessoa, como processos digestivos (facilidade ou dificuldade de ingerir alguns alimentos para cada pessoa, p.e., celíacos), taxas basálticas, estruturas ósseas e musculares, etc.

Logo depois, diz que depois do 50 anos ”é possível controlar 80% do destino de sua saúde”. Sou um tanto chato com esses dados percentuais divulgados, normalmente precedidos por “pesquisadores britânicos descobrem que…” ou “estudos norte-americanos mostram que…”. Olhe bem, 80%, quem já lidou com estatísticas e coleta de dados amostrais sabe do que estou falando, obter um resultado assim, bonitinho, 80%, sem vírgulas, sem números primos, é quase fantasioso. Quando vejo um 80%, ou 50%, ou algo do tipo, meu sensor de mentira é acionado. Mas sigamos adiante.

Dizer que uma pessoa controla 80% do que acontece a sua saúde após os 50 anos é um tanto otimista. A revista atribui os 20% restantes à genética. Vejo que, dessa forma, inexistem acidentes, intoxicações, vírus, bactérias, entre outros. Quase ninguém aqui é monge, quase ninguém aqui tem uma incrível e maravilhosa concentração a ponto de controlar completamente seus batimentos cardíacos, sua respiração, seus pensamentos e glândulas endócrinas e exócrinas, sem falar do sistema nervoso autônomo. Sendo assim, nossa estatística precisaria ir, pelo menos, até uns 150% (só pra continuar nos números redondos).

Agora, o que eu adoro na Veja são os questionários e as tabelinhas feitas, praticamente, para crianças que estão sendo alfabetizadas, cheios de desenhos e cores.

Vamos lá, à análise:

Um quadro com um coração, um cigarro com sinal de proibido, uma nuvem ZzZzZz estilo Maurício de Souza, uma emoticon feliz são os exemplos ilustrativos do que vem escrito abaixo. Na respectiva ordem das figuras: ter vida sexual ativa (agora me pergunto o que tem a ver o coração) nos dá 8 anos a mais de vida (será que levam em consideração a quantidade de vezes que gozamos?); não fumar nos dá mais 5 anos (fumar depois do sexo, então, continua nos dando mais três anos de vida); dormir bem (isso está incluso nos 80%?), mais 3 anos; manter bom-humor e emoções positivas, mais um ano e meio (só isso?).

A matéria inteira não traz nada (mas nada mesmo) de novidade, muito menos coisas interessantes. Fala do comer bem, do exercitar-se regularmente, do tabagismo e alcoolismo, o de sempre.

O divertido vem no final, quando é a hora do questionário, baseado num já formulado por dois médicos americanos (seriam norte-americanos?), Mehmet Oz e Michael Roizen, e incrementado pela geriatra brasileira Maia Guimarães. Perguntas dúbias, com respostas imprecisas, são marca registrada desse tipo de avaliação. E eu adorei a pergunta número 12 do teste, tanto que ela vai na íntegra aqui:

“12. Qual é a substância principal responsável pela libido masculina e feminina?

a) Tequila

b) Estrógeno

c) Testosterona”

Então, vou ler o resto da revista agora pra ver se tem algo ali que salve a edição. Enquanto isso, responda aqui nos comentários à questão 12 (sem colar).

O Rei – Capítulo 2 – Da Universidade

2

Acho que meu pai sentiu muito mais do que eu a minha falta, quando, aos 18 anos fui morar sozinho numa cidade a 150 Km da cidade natal. Meu pai era charmoso, já estava ficando velho, mas ainda era capaz de atrair diversas mulheres, e isso eu sei que ele começou a fazer com mais frequência na minha ausência, aproveitava a solidão da casa e o vazio que eu havia deixado nele, preenchia tudo os gritos das mulheres, com o cheiro que elas deixavam na sua cama, com os cabelos perdidos pelo quarto, com os gemidos abafados.

Eu morava sozinho num apartamentinho pequeno mas muito confortável, montado com móveis de primeira, tudo do bom e do melhor, inclusive as bebidas, que meu pai insistia que eram as melhores inspiradoras para uma poesia apaixonada. Nunca gostei de beber, apesar de todos pensarem que eu o faça, sempre prezei demais minha lucidez para me permitir esses escapes da consciência.

Cursava filosofia, como meu pai, e logo no primeiro semestre arrumei um emprego de colunista em um jornal local. Escrevia sobre filosofia, é claro, comportamento, juventude e essas coisas que estavam em evidência, após anos de repressão ser jovem era estar na moda, era ter voz e poder.

As noites de sexo eram frequentes e excelentes, conheci duas garotas lindas, se diziam namoradas, e diversas vezes elas vinham ao meu apartamento, diziam que minha cama de casal era ótima e fazia pouco barulho. Eu me divertia tanto que, algumas vezes, usei cocaína com elas, mas isso não me agradava muito.

No sexto período do curso de graduação resolvi abandonar, meu emprego ia muito bem, aumentaram meu espaço dentro do jornal e meu salário também, já podia me sustentar sem ajuda dos meus pais há um anos, mais ou menos.

Já naquela época o mundo começava a me entediar. O sexo precisava ser cada vez mais intenso para que eu me sentisse satisfeito, as conversas cada vez mais profundas. Meus textos agradavam e vendiam bem, mas eu não me sentia completo com aquilo, sentia que havia algo mais forte dentro de mim, uma sementinha que crescia aos poucos e empurrava o que havia dentro de mim para fora, buscava espaço e alimento na minha alma.

Foi nessa época que conheci um senhor, um inglês, que veio para a cidade dar uma palestra sobre física moderna. Eu fui chamado pelo jornal para entrevistá-lo, pois o meu inglês era o melhor dentre os funcionários. Esse foi o meu primeiro contato com o universo das energias, das matérias, dos buracos negros e campos magnéticos, etc.

Passei o resto do semestre lendo e escrevendo para o jornal. No fim do ano decidi que iria prestar vestibular para física. Em março já estava na sala de aula, iniciando uma nova jornada.

Cada vez mais recluso, eu já não trazia mulheres todas as noites para meu apartamento. Estava apaixonado por uma professora de cálculo, Viviane, maravilhosa e cheirosa, seus olhos lembravam os da minha irmã, mas seu corpo era firme e sua pele macia.

Demorei 4 meses e 14 poesias para tocar no assunto com ela, esperei passar a prova do fim do semestre. Ela não ficou vermelha, ela não me repreendeu, ela sorriu, com aquela boca maravilhosa, e disse que precisávamos tomar um café naquela noite. Eu disse que não tinha carro, ela disse que me buscaria.

Às 20h estávamos tomando um café e fumando. Ela disse que lia sempre meus textos e não entendia como eu podia ter tanto talento na literatura e tanta facilidade na área das exatas. Talento na literatura pra mim parecia estranho, se havia algo de talentoso em mim era tão somente minha capacidade de observar.

Às 22h estávamos no apartamento dela, ouvindo um CD do Jethro Tull. Ela tinha somente sete anos a mais do que eu, se formara cedo, logo entrara para um mestrado e terminara seu doutorado em EDP há meio ano. Era a primeira vez que dava aula. Era a primeira vez que eu estava apaixonado.

Às 23h estávamos na cama dela. Não transamos naquela noite, mas eu dormi lá, e ela me abraçou com seu corpo quente e seu cheiro de infância, quase não suportei tanta leveza na alma, eu, que estava ficando cada com o espírito cada vez mais pesado.

Acordei naquele sábado perto das 10h, estava chovendo muito, parecia noite, mas não encontrei Viviane no quarto.

Da falsa fé (quero certeza)

6

A popularização das doutrinas evangélicas está evidente, não há uma cidade que não tenha os discípulos do senhor recolhendo dinheiro e prometendo uma salvação, rezando pro santo Edir Macedo, e entregando suas almas aos cofres da igreja. Está disseminado o culto evangélico.

Vejo pastores interpretando a bíblia como se fosse um livro de fatos inquestionáveis, como se os homens que a escreveram não estivessem sujeitos a falhas ou enganos, não fossem tendenciosos muito menos capazes de se enganar no que diz respeito à estrutura social da época.

O texto Fé Inteligente mostra a diáfana propensão de suas interpretações de atribuir a deus tudo que é bom, e, portanto, que devemos entregar cada fio de cabelo da nossa existência ao tal deus. Na passagem citada de Romanos, a mim parece que Paulo clama por uma emancipação mental, um questionamento sério e profundo sobre os valores éticos e morais, para que a pessoa possa tomar consciência das causas da sua educação e escolha o que é, de fato, da sua alma e aquilo que lhe foi, inconscientemente, embutido desde o início de sua vida.

O encontro com deus, de que tanto falam, é o tema mais impossível de ser debatido, ninguém pode comunicar por palavras o que é esse encontro, muito menos definir o que é deus. Cada um tem uma idiossincrasia que o guiará para um conceito da deidade, que o fará enxergar deus de uma forma, mais ou menos, peculiar. A mim, por exemplo, deus não é como os (ditos) cristãos costumam definir, mas é energia, no termo mais físico possível, é a causa dessa energia, e de onde surge isso já não me importa, pra mim deus é o pai da física moderna, e o salvador poderia ser Einstein, então, que foi precedido pelo profeta Newton.

Os ascetas encontram deus na solidão e no sacrifício do corpo, cristãos na doação e pureza (assim deveria ser), budistas no treinamento do silêncio dentro de si para a união com o universo, e assim vai. Como definir, então, o encontro com deus? Não seriam, na verdade, encontros do homem com o seu deus pessoal? Deus, na coletividade, é o universo, energia, matéria, átomos, elétrons, prótons, quarks, hádrions, etc.

A religião é falha, pois que é construída por homens falhos e não é questionada pelos que a seguem. Ritos, missas, símbolos e afins são tão somente meios, ferramentas para se chegar a um lugar dentro da própria mente que eu chamaria de deus.

Se você ainda não encontrou esse deus dentro de si, não é porque ele está morto (ao contrário daquele ao qual Nietzsche se referiu, aquele sim está), é porque você está dormente. Zaratustra, personagem do filósofo alemão, disse que o homem é uma ponte entre o macaco e o sobrehomem; acredito que ainda estejamos, em geral, muito perto da ponta do macaco, e deus só será visto quando pudermos tocar o outro lado, o do sobrehomem.

Page 30 of 92« First...1020...2829303132...405060...Last »
Christian Silveira's RSS Feed
Go to Top


Faça parte da nossa comunidade no Facebook
basta clicar em "Curtir".