Christian Silveira
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Artigos por Christian Silveira
Não entendo do ‘Amor em Cristo’
06/12/09
Sério, não é implicância minha, tenho motivos plausíveis pra falar tanto dessa onda evangélica que tá acontecendo. Essas pessoas vendendo a fé, vendendo esperanças e ilusões tão estupidamente primárias me deixam quase nervoso, se eu não tivesse senso de humor e fizesse piada disso (porque só pode ser piada), certamente ficaria irritado.
Dia desses vi uma guria no ônibus com um caderno da marca ‘Senhor’. Afe, isso já me cansou, era manhã, bem cedinho, e isso me cansou.
Tem o PSC (Partido Socialista Cristão), que prega política cristã (como assim?), e a moça, muito inteligente, no seu discurso fala que querem “restaurar a dignidade da (atenção ao grifo) ‘pessoa humana’”. Graças ao bom senhor nosso deus que ela especificou que a pessoa que deve ter a dignidade restaurada é a humana, porque se não fosse, olha, nem sei o que poderia acontecer.
sensações áridas
05/12/09
É a nudez do meu corpo
que mostra aonde está alma
que deixa as cicatrizes contarem onde estive
que deixa as formas falarem de quem sou
das vitórias e das derrotas
1, 2 e 3 numa noite
04/12/09
1
Eu tenho tanta vida que tudo ficou pesado
Sem ser como o resto dos mortos que pensam que vivem mas boiam
Eu afundei, na mais profunda correnteza do oceano
Por ter tanta vida e ter ficado pesado, afundei
O Rei – Capítulo 3 – Da nova construção
03/12/09
Dizem que o coração do homem morre aos poucos quando não é submetido a certos perigos e aventuras. Pois eu, infelizmente, me percebi de uma forma única até então, inédita, eu me sentia angustiado, ansioso. Estava apaixonado, assim, uma sementinha ia crescendo no meu peito e ia tomando o lugar do meu fôlego, e a ansiedade disparava meu coração sereno.
Estava apaixonado, e acordar sem ver Viviane foi angustiante, repetitivamente angustiante. Inescapável era minha desconexão entre razão e sentimento, mas deveria ser ela, aquela mulher linda, ela que deveria ser inescapável dos meus braços. Incrível, primeira noite juntos, não transamos, e eu durmo como um bebê.
Eu lembro daquele dia como um filme, consigo, por vezes, me projetar pra fora do meu corpo e reviver a situação como um espectador entusiasmado com o espetáculo. Remonto os pedaços da peça, as cenas naquele teatro que parecia. Ainda bem que ela nunca ficou sabendo dessa minha criancice momentânea, ficaria admirada ao saber que, quando fora até a padaria que funcionava ao lado do prédio para comprar pão novo, o seu acompanhante desesperou como um bebê abandonado.
A preguiça do mundo
02/12/09
Esse mundo que se move
com pernas moles e preguiçosas
e vai girando sem vontade alguma,
senão a de balançar nossas ideias torpes.
E vai lento e insidioso,
nos fazendo acreditar na mudança
