Assistindo de olhos fechados

Em que momento foi que perdemos a nossa habilidade de sentir e estar presente aos momentos? Quando foi que esquecemos de presenciar a própria vida como parte dela? Quando deixamos de lado a atenção a todas as sensações causadas pelos cheiros, sons e luzes que nos tocam o tempo todo?
Ontem à noite, antes de dormir, liguei a TV na MTV e estava passando um clipe muito velho, isto é, do meu tempo de criança: Kid Abelha, na rua na chuva na fazenda. Tudo bem, nunca gostei tanto dessa música quanto eu gosto da Paula Toller, no entanto, ela me lembra minha casa em Cruz Alta, aquela onde cresci com meus irmãos.
Ao fechar os olhos ouvindo a música pude reviver momentos simples, distantes, e, ainda assim, significativos, de alguma forma, pro que sou hoje. Momentos assim, miúdos, aparentemente insignificantes, acabam se somando e construindo o que nós somos, fazem nossos hábitos e vícios, traumas e vontades.
Como ia dizendo, fechei os olhos e comecei a ouvir a música, sem prestar atenção na letra, apenas sentindo a melodia e percebendo o que aquilo ressuscitava em mim: o céu azul de um verão escaldante no clube onde costumava jogar tênis, o olhar através da janela para a chuva numa tarde assistindo The Goonies enquanto comia doce, o cheiro do xampu que usava naquela época, as brincadeiras na rua até escurecer e o horário de ir pra casa assistir Cavaleiros do Zodíaco e comer bolacha ou pipoca.
Naturalmente, essas lembranças boas trariam uma sensação de paz e sossego; contudo, mesmo quando as memórias invocadas são aquelas de alegria menos expressiva, a sensação de paz e sossego continua…
Continua porque naquela época ainda era presente em minha própria vida, porque sentia aquele cheiro e atentava à ele, porque via a chuva e queria tocá-la e sentí-la, gelada, em mim, esquecendo de um possível resfriado, era apenas viver o momento, quase incauto.
A música tinha sempre um tom de novidade, e disso eu realmente sinto falta, a música era muito mais alma do que instrumento.
E como retornar a esse estado de percepção da vida?
Tenho certeza de que revirar a infância não resolve nossos problemas, nossa apatia, no entanto, deve haver uma forma de trazer de volta esse sentimento de presença, de vida eminente, uma sensação que de tão pesada chega a nos prender, mas nos prende num lugar muito acima daquele em que nos sentamos e ficamos observando a vida continuar, esquecendo de fechar os olhos e sentir, e ouvir, e cheiras, e tocar…
Sétima poltrona, terceira fila.
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titiao! quanto tempo!
Estava procurando uma sátira acerca dos concursos públicos e, acidentalmente, me deparei com esse blog. Quando li o autor, foi uma surpresa! Desconhecia, até então, o teu apreço pela retórica. Achei uma graça (no bom sentido) e interessantes tuas explanações. Gostei de ter citado a velha cidadezinha, certamente este texto também me trouxe boas lembranças.
Enfim,
Um bjo p ti
fica bem
Vai lá, novidade no Descompassado – Assistindo de olhos fechados (ignorando a vida) – http://bit.ly/cXFjae
bom texto ;D RT @titiao93: Vai lá, novidade no Descompassado – Assistindo de olhos fechados (ignorando a vida) – http://bit.ly/cXFjae
RT @titiao93: Vai lá, novidade no Descompassado – Assistindo de olhos fechados (ignorando a vida) – http://bit.ly/cXFjae
E pra quem não leu ainda -> http://bit.ly/cXFjae
Arrepiada ao ler esse texto. Como é que nós deixamos essas sensações esquecidas?
Por que é que os pequenos e marcantes momentos nos vagam a memória?
Foi nisso que eu pensei ao lê-lo.
eu lembro de um aniversário teu com o tema do Grêmio. hahahah
e de quando tu me emprestou o cd do nirvana. hahaha
e lembro de mil outras coisas…
@mahvillareal o das Coxas Grossas ñ se encaixa bem no Edital, pensei em http://bit.ly/aH95TM ou http://bit.ly/aZJirl ou http://bit.ly/cXFjae