Arroz Transgênico x Greenpeace
Em tempos que se fala de aquecimento global, da poluição dos rios e dos lençóis freáticos, de terremotos, de ciclones e tornados e toda sorte de fenômenos da natureza, diversos, muitas vezes, do que de deveria esperar ou prever, é preciso ser cauteloso e sensato ao fazer afirmações ou tomar atitudes pouco sensatas.
Admira-me que, em conjunto com os distúrbios supracitados, o ser humano, como um animal coagido, reaja cada vez mais histericamente. A ironia é uma chave da racionalidade, mas há uma linha muito tênue separando ela do ridículo.
Hoje (quinta-feira, 15 de outubro de 2009), alguns ativistas do Greenpeace invadiram a reunião da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), e o fizeram por se tratar de uma reunião que tinha por objetivo expôr os processos para a liberação do arroz transgênico no Brasil.
Ora, perdoem-me os que se sentirem ofendidos, mas a transgenia só apresenta ameaça a quem não se satisfaz economicamente com isso. Ademais, a manipulação genética não deve ser encarada como algo absurdo, não mais, foi-se o tempo dos mistérios dessa tecnologia. Não sou exatamente um defensor da Sra. Dilma, muito do Lula e seus sequazes, contudo, deve-se admitir que as abordagens do Greenpeace têm sido cada vez mais infelizes.
Fala-se muito em desenvolvimento sustentável, e, tendo em vista que os transgênicos têm rendimento muito superior aos grãos “naturais”, ocupando áreas muito menores para uma produção até mesmo maior, e sendo manipulados para resistirem a muitas pragas sem que seja necessária a aplicação de veneno, torna-se simplesmente incongruente a barreira que os ativistas da “paz verde” querem impôr.
É preciso pensar com mais calma, é preciso ter uma visão mais ampla. Quando se diz um não, quando se protesta contra algo, é necessário apresentar a contra-proposta, é quase um método científico, e esse protesto, por melhor (ou pior) que tenha sido, até onde pude ver, não trouxe nenhuma outra solução para a rizicultura.
Segue abaixo uma foto de dois tipos de arroz, e eu pergunto: você sabe qual é o transgênico? A imagem foi retirada do site http://dlgazzoni.sites.uol.com.br/pagina21.htm , e eu sugiro que leia sobre esse arroz e, se ainda é contra a transgenia, repense o caso.

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Dale Titião!
Descobri teu blog e não posso deixar de fazer um comentário sobre esse texto. A primeira coisa é que o texto que passa por aprovação no CTNBio é para liberação de outra variedade de arroz transgênico, e não o arroz dourado que possui maior concentração de beta-caroteno no grão. Em segundo lugar, essa variedade existe, foi criada a cerca de 10 anos e, devido a atividades como a do greenpeace em outros países, não há uma única planta crescendo para alimentação. Em terceiro, há que se ler com parcimônia a matéria escrita por Gazzoni, uma vez que algumas informações não procedem. A mais grave é a de que esse mesmo arroz tem maiores quantidades de ferro. Isso foi feito em arroz, mas não no arroz dourado e o resultado não foi positivo (pelo menos não para beneficiar a nutrição humana). Por último, embora seja um defensor do uso da transgenia, não é verdade que a tecnologia não apresenta riscos: cada transgênico é pensado para resolver um problema específico (nutrição, pragas, resistência à seca, etc), e a avaliação de riscos humana e ambiental deve ser feita para cada tipo, independentemente. Esse é o erro mais comum, achar que transgênicos são um grupo de plantas com algo em comum, mais do que tem em comum o grupo das "forrageiras", "plantas ornamentais" ou "plantas carnívoras". Ou seja, o que é certo para uma, de maneira alguma tem de ser para outra. Era isso, abração bruxo!