Antes da Parte Primeira
Acordei sem despertador, algum barulho nos vizinhos me despertou. Já eram onze horas da manhã, o dia estava nublado, morno, com eletricidade no ar, obviamente teria temporal mais tarde. Sentei na cama com as mãos apoiando o corpo nos lados. Olhava para o chão, ou para meus pés, ou para o nada. Sentia-me suspenso, não necessariamente vazio, mas minha nota não soava, era latente.
Depois de checar meus e-mails, tomei um banho e me arrumei. Nem orkut, nem twitter, nem nada me atraía hoje. Resolvi almoçar fora, sentia fome, mas tinha preguiça de comer, também não queria lugares movimentados, sinto uma ressaca social, uma fobia crescente que me afasta mais e mais.
Almocei um sanduíche de atum no Sanduba, no centro da cidade. Depois, dei uma volta no centro aproveitando o ar morno que soprava. Comprei um café e continuei caminhando, agora acompanhado de um cigarro. Eu ainda era a mesma casca que acordou, eu ainda estava latente.
Não residia em mim qualquer pretensão de prazer, de diversão, de tristeza, de nada, mas se residisse eu, então, não estaria atento às sensações. Meu mp3 tocava as músicas de sempre: Pain of Salvation, Dream Theater, Opeth. Repentinamente, como num estopim, como numa conjunção planetária, como se um coro gritasse aos meus ouvidos uma canção incompreensível aos meus sentidos, dei a volta, resoluto: voltaria para casa, faria minhas malas e iria viajar.
Eu ainda tinha quase três semanas de férias, tinha o dinheiro do estágio. Por que não? Iria para onde? Fazer o quê? Não sei, simplesmente senti o ímpeto de viajar, mas não aquele desejo de aventura e diversão, não, eu sentia um ímpeto, uma resolução da alma, um decreto do espírito.
Terminei minhas malas às 16h, coloquei mensagens dizendo que estaria fora em todos meus comunicadores virtuais. Meu notebook e máquina digital vieram juntos, meu violão resolvi deixar, não sabia o que faria, mas havia decidido ir a Porto Alegre. O Lúcio certamente me receberia por uns dias. Precisava tirar folga de mim mesmo, e para eu poder fazer isso eu sabia que teria que sair do meu meio, me jogar em qualquer lugar de desconforto.
Às 18h estava no ônibus, com meu mp3. Um homem de uns cinquenta anos sentou ao meu lado e perguntou sobre meu livro (Aurora Dourada, de Israel Regardie), ele me contou que era espírita, rosacruz, cabalística e uma série de outras coisas. Eu apenas ouvia, achava deprimente um senhor, depois de anos estudando a alma humana, continuar a saber apenas falar de si, de nomes complicados, decorados, de tão batidos em seu cérebro haviam perdido qualquer sentido para ele, mas ele falava como um robô. Depois de quase uma hora, em uma pequena pausa, como eu não respondia, ele olhou para o corredor e eu me virei para a janela, cortando o diálogo.
O temporal começou, estava escuro, e eu olhava para fora do ônibus e para dentro de mim, e tudo que eu queria era pular do abismo, sentia impulsos de gritar, levantar e berrar às pessoas do ônibus para que acordassem para a vida, pensassem, questionassem. Mas se nem mesmo eu sabia o que esperar de mim, por que culpar os outros da minha própria insatisfação? Sentia-me um adolescente.
À medidade que a viagem passava, fui acalmando meu espírito. Tinha lembranças de vários pedaços da minha vida, a lua nova me lembrava quando tinha 15 anos, quando, no verão, deitava-me no terraço de casa e ficava observando o céu, as estrelas, implorando para algum deus, espírito, alma, o que fosse, me resgatasse, me tirasse dali e me mostrasse qualquer verdade, pois que eu não me conformava com aquela situação humana. Hoje stou resignado, ou quase.
Sei que dormi divagando no passado, não lembro qual música tocava, não lembro aonde estava o ônibus. Acordei em Porto Alegre, à uma hora da manhã. O senhor que estava ao meu lado já havia descido em alguma outra cidade. Que hora imprópria para chegar, o Lúcio deve estar em alguma festa, tenho que ligar para ele.
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[...] [ to Descompassado] [...]
ta, e ai?
P
espero que a primeira parte tenha algo haveeeer!
li o texto da mah esperando que o teu tivesse algo em comum. -.-
mas não, não achei, ou eu que não sei interpretar? uiaheiuhae
sei la, só quiz manifestar meu indignamento com a situação aheuihae
aloka revoltadaaaa
tá ótimo titião, gosto de ver vocês trabalhando juntos, mas aaaaah se liguem também, não é so interligar, tem que ligar pow!
aisdjaoisjdoaisjdo tá, parabéns pelo blog e suceesso!! ;**
ta, retiro o que eu disse
a mah disse que eu não sei interpretar pq não sou especial
sucesso igual! :*