A democracia e as aparências

Na Zero Hora de hoje há uma manchete assim: “Dilma treina voz com aulas de canto”.
Fiquei pensando, cá com meus botões, obviamente é importante para um candidato a um cargo público ter correta imposição de voz, treinar sua tessitura, entonação, colocação e dicção, não questiono isso, de forma alguma, mas não seria isso uma das prioridades atuais dos nossos governantes?
O exemplo da voz foi só um, o que eu, de fato, quis dizer é que parece que estamos entrando (há mais de cem anos) em um período em que a aparência daquelas pessoas que estão lá no Senado, na Câmara de Deputados, nas Prefeituras e, por que não, nos cargos de presidência de organizações conta muito mais do que seus trabalho prévios, do que seu passado.
A impressão de asseamento e de beleza em conjunto com uma voz potente e bem colocada é uma arma incrivelmente eficaz para a eleição de um pilantra. Ainda que a voz seja estranhamente peculiar, isso auxilia. Temos casos de Maluf, Collor e muitos outros que talvez não tenham ainda precisado se reeleger em cargos, mas foram se escapando de falcatruas por sua astúcia e habilidades persuasivas.
A democracia é uma coisa linda, não tenho dúvida de que esse modelo seja um dos mais (só para não dizer “o mais”) adequados para a eleição de um presidente ou outro cargo qualquer, porém, com todas essas enganações que acercam a nação brasileira e a falta de preparo de milhões e milhões de pessoas para abrir os olhos e enxergar as pilantragens de cada um, a falsidade no olhar disfarçada pelo terno e pela cor da gravata, eu fico em dúvida acerca da nossa competência para usar o voto.
O Brasil – assim como outros países, obviamente – é movido quase que completamente por aparências, o que a pessoas parece dizer vale muito mais do que ela realmente queria dizer. “Vote em mim, mas eu vou te sacanear.”.
Quanto demora para pararmos de avaliar roupas e palavras bem colocadas e passarmos a dar mais atenção à idoneidade, força de vontade e atitudes dos pretensos governadores, senadores, deputados, vereados, prefeitos e presidente?
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Corrigindo: A democracia e as aparências – http://bit.ly/922VSB
Sabe que eu vi uma vez no jornal da tv, uma pesquisa sobre o “capital erótico”, que seria a soma de simpatia, beleza e persuasão. Segundo a pesquisa inglesa, as pessoas que tem capital erótico tendem a se dar bem na vida pessoal e profissional, e apontavam ainda o Brasil como país em que as pessoas tem mais desse tal “atribto”. Achei piadinha cínica mto sutil – ou não. O legal é que todo mundo da entrevista achou beeeem legal o “premio” como se fosse inteligente ser sacana; o q de certa forma até é.
Acho ainda que teu texto aplica-se a todas as formas de sedução possiveis. Pelo menos na política a gente pode votar e escolher. Já os chefes e colegas de empresa não!
Mas concluindo (eu sei, ta longo) no alto dos meus complexos, as aparencias sempre se sobressaem, momentaneamente ou não.
#achismosdemaíra
Ah, e eu nao me atendo mto em vozes, só cheiros.
Exatamente, isso não acontece somente na política, mas está em todos lugares, cargos, relações et cetera. Não sei ao certo se devemos culpar alguma coisa ou alguém ou algo por isso, mas é fato constante em nossa sociedade, (provavelmente) infelizmente.